Pois há algum tempo já
venho olhando os vidros dos ônibus em Porto Alegre, andando pelos caminhos desta
cidade... O que mais me encantou – e isso todos aqueles que são mais próximos a
mim podem confirmar – foi a cidade! Ah, esse meu eterno amor pela cidade! O que
é a cidade, esse amontoado sem fim de concreto, de prédios, de barulho, de
gente? Não sei, não saberei, pois não quero teorizar. Mas que me encanta, isso
sim, indubitavelmente.
Mas entrar em um ônibus
em Porto Alegre tem me sido uma alegria imensa – desculpando-me do trocadilho
piegas e terrível. Mas é que há sempre o elemento surpresa. O elemento que me
faz querer sair de casa levando o óculos já na cara, para melhorar o campo de
visão. É o sempre querer estar perto do lugar onde a vista alcance o objetivo.
(Como estás poético!)
Sim, isso tudo é pura
poesia!
Vi dias desses na Casa de
Cultura Mario Quintana, no centro – o ponto máximo de uma cidade – uma frase
que, se não me recordo ao certo, tenho o seu caráter principal. Dizia mais ou
menos isso sobre Quintana: “Diziam que tudo o que ele falava era poesia”...
Talvez seja essa cidade,
em realidade. Talvez seu concreto ilumine as mentes das pessoas, mesmo sem
sabermos.
Há um projeto aqui que
chama-se “Poemas no ônibus”. São pequenos textos que vão colocados nas janelas,
em cartazes, trazendo os poemas selecionados de pessoas que se inscrevem enviando
seus poemas autorais. Me encantou desde o primeiro momento! Sou fascinado e
tenho andado de ônibus procurando por mais versos que me alimentem a alma e me
coloquem um sorriso na cara.
Selecionei dois deles,
que me ficaram no pensamento por bons momentos após a leitura:
MOMENTOS
Apaixonada, entrou no
ônibus e leu a placa:
“Fale ao motorista somente
o indispensável”
Suspirou e então disse: -
Eu te amo!
Milton Braga da Mota
Junior
PERDA
Ficou-me duro de roer este
osso
Outrora – a desventura de
perdê-la
Hoje prescindo dos favores
dela:
Bebo água limpa do meu
próprio poço.
Sofrer até um limite xis
eu posso,
Já que torna a alma
resistente e bela,
Entre na trama austera da
novela
Da vida que escolhi e
ainda endosso
Não são os males ditos
naturais,
Mas os do coração que doem
mais
Há uma compensação, ao que
se sabe:
Se aqui não há um bem que
sempre dure,
Ou a que nenhum desfeito
se misture
Também não há um mal que
não se acabe
José Nedel
Quem
quiser ver mais, pode acessar o site da Prefeitura de Porto Alegre e dar uma
olhadinha. Ainda mais porque estamos bem próximos do aniversário da cidade...
Salve os Quintanas da vida! Salve aquilo que o próprio Quintana sempre viu:
poesia!
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=57
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