quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Poemas nos ônibus

Pois há algum tempo já venho olhando os vidros dos ônibus em Porto Alegre, andando pelos caminhos desta cidade... O que mais me encantou – e isso todos aqueles que são mais próximos a mim podem confirmar – foi a cidade! Ah, esse meu eterno amor pela cidade! O que é a cidade, esse amontoado sem fim de concreto, de prédios, de barulho, de gente? Não sei, não saberei, pois não quero teorizar. Mas que me encanta, isso sim, indubitavelmente.
Mas entrar em um ônibus em Porto Alegre tem me sido uma alegria imensa – desculpando-me do trocadilho piegas e terrível. Mas é que há sempre o elemento surpresa. O elemento que me faz querer sair de casa levando o óculos já na cara, para melhorar o campo de visão. É o sempre querer estar perto do lugar onde a vista alcance o objetivo.
(Como estás poético!)
Sim, isso tudo é pura poesia!
Vi dias desses na Casa de Cultura Mario Quintana, no centro – o ponto máximo de uma cidade – uma frase que, se não me recordo ao certo, tenho o seu caráter principal. Dizia mais ou menos isso sobre Quintana: “Diziam que tudo o que ele falava era poesia”...
Talvez seja essa cidade, em realidade. Talvez seu concreto ilumine as mentes das pessoas, mesmo sem sabermos.
Há um projeto aqui que chama-se “Poemas no ônibus”. São pequenos textos que vão colocados nas janelas, em cartazes, trazendo os poemas selecionados de pessoas que se inscrevem enviando seus poemas autorais. Me encantou desde o primeiro momento! Sou fascinado e tenho andado de ônibus procurando por mais versos que me alimentem a alma e me coloquem um sorriso na cara.
Selecionei dois deles, que me ficaram no pensamento por bons momentos após a leitura:


MOMENTOS

Apaixonada, entrou no ônibus e leu a placa:
“Fale ao motorista somente o indispensável”
Suspirou e então disse: - Eu te amo! 


Milton Braga da Mota Junior

 

PERDA

Ficou-me duro de roer este osso
Outrora – a desventura de perdê-la
Hoje prescindo dos favores dela:
Bebo água limpa do meu próprio poço.

Sofrer até um limite xis eu posso,
Já que torna a alma resistente e bela,
Entre na trama austera da novela
Da vida que escolhi e ainda endosso

Não são os males ditos naturais,
Mas os do coração que doem mais
Há uma compensação, ao que se sabe:

Se aqui não há um bem que sempre dure,
Ou a que nenhum desfeito se misture
Também não há um mal que não se acabe  

José Nedel


Quem quiser ver mais, pode acessar o site da Prefeitura de Porto Alegre e dar uma olhadinha. Ainda mais porque estamos bem próximos do aniversário da cidade... Salve os Quintanas da vida! Salve aquilo que o próprio Quintana sempre viu: poesia!



http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=57

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